A evolução da comunicação

Andei refletindo muito sobre os últimos períodos, e cada vez me convenço mais que o problema da sociedade atual são as tecnologias de divulgação de conteúdo no contexto histórico natural evolutivo da humanidade.  

Recordemos; nós humanos saímos das cavernas a uns 20 a 30 mil anos atrás em pequenos grupos, formamos as primeiras sociedades entre 2 a 5 mil anos, agora estamos com apenas 400 anos de ciência e método científico, 100 anos de rádio e 60 a 70 anos de televisão. Foram milhões de anos de evolução para se desenvolver a linguagem e a comunicação orgânica, e agora tudo está acontecendo muito rápido na escala evolutiva, há uma forte aceleração evolutiva de nossa espécie, e nos últimos períodos estamos em altas velocidades de desenvolvimentos tecnológicos e compreensão da natureza.

Então aparece a internet há uns 20 anos atrás, um flash na história da humanidade, que prometia ser a revolução da informação, a unificação dos povos por meio do rápido acesso a informação, onde nós ingênuos naquela época, só imaginávamos as boas possibilidades e sonhávamos com elas, nós não conseguíamos imaginar as consequências dessas tecnologias de divulgação de conteúdos, quando operadas por pessoas gananciosas e mal-intencionadas.

Mas o futuro chegou, e a realidade é sempre dura e nada utópica, e hoje com a internet na mão de todas as pessoas de todas as idades e formações, onde todos podem criar, compartilhar e consumir conteúdos audiovisuais em segundos, quando não em tempo real. Esta mesma internet, tão maravilhosa de 20 anos atrás, está agora operando o mundo e intermediando todas as relações humanas, tanto as boas quanto as más. 

O fato é que a humanidade não teve tempo hábil de aprender usar essa poderosa ferramenta, ela ainda é muito recente, fazem menos de 10 anos que temos em mãos celulares com internet fácil e rápida para todos, e não nos damos conta do real poder que temos em nossos cotidianos, poder esse que move toda nossa percepção de realidade. Provavelmente irão acontecer muitas tragédias sociais até aprendermos a controlarmos nossas práticas diárias de forma consciente, e nos acostumarmos que informação só é informação quando validada, refutando todos os achismos sem fontes e comprovações. Essa metodologia já foi desenvolvida pela ciência há séculos atrás e se chama Método Científico, e infelizmente ainda não conseguimos aplicar atualmente algo parecido nos conteúdos que consumimos diariamente, eles são "tragados" sem qualquer filtro, pois o "filtro" é construído com senso crítico, e senso crítico custa tempo de estudo e prática para se desenvolver. 

Os calhordas e criminosos, como Olavo de Carvalho, Bolsonaro, entre outros milhares de criadores de desinformação e fakenews, souberam aproveitar dessa fraqueza humana para “tocar o terror” com conspirações e assim fazer dinheiro sujo sobre as massas, sem qualquer remorso, criando legiões de conspiradores ignorantes com muito ódio em seus corações, e que chegam a posições de poder político e econômico, apodrecendo toda uma sociedade de dentro pra fora, isso é bem clássico do capitalismo e dos fascistas.   

Uma possível saída hoje é aproveitarmos essa aceleração evolutiva, ancorada nas tecnologias de comunicação, e nelas impulsionar incisivamente a história da humanidade através das artes e da ciência, áreas que juntas nos tornam humanos e lógicos, para assim tentarmos - mesmo que para uma pequena fração da sociedade - consolidarmos um "padrão" de comportamento, onde se repudia a mentira, falsidade e sensacionalismo a troco de fama e poder, e onde encontramos um ambiente justo, sério, sem ódio e sem mentiras, pois a situação assusta quando pensamos no futuro de nossos filhos e nas redes sociais atuais. 

O problema é que como sempre - na história da sociedade ocidental - os meios de comunicação estão nas mãos de grandes corporações oligárquicas que decidem o quê chega a quem! e que usam esse poder enorme para direcionar conteúdos em prol de objetivos sórdidos e lucrativos.

Será que um dia teremos um meio de comunicação massivo, verdadeiro, democrático e acessível para todos?

Giovani Grespan

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